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Birra Infantil. E o que pensar sobre ela...

É muito comum sairmos na rua e presenciarmos crianças, de diversas idades, fazendo birra e mobilizando pais, avós babás e outros cuidadores. Quem é mãe sabe que não é fácil lidar com essas situações... E que o mais difícil é o olhar interrogativo, assustador e inquisidor de quem vê...

Postado em 08/06/2018


Birra Infantil. E o que pensar sobre ela...

A mãe, que já lida com uma situação estressante, ainda sente-se vigiada e cobrada a agir rapidamente, acabando logo com o “barulho que atormenta” e incomoda quem está ao lado.

Quem é mãe, principalmente de primeira viagem, fica constrangida e muitas vezes, meio que num impulso impensado, acaba cedendo à chantagem emocional dos filhos... E quando percebe, esse comportamento já está tão natural, tão consolidado, que é até difícil olhar para ele e reconhecê-lo. Quando as crianças são bem pequenas, a família até consegue ignorar e/ou minimizar grande parte dessas atitudes, mas quando elas crescem, entra em cena as queixas escolares, psicólogos, as suspeitas e buscas incessantes por um diagnóstico.

Não estou dizendo que não existe crianças com TDAH, Síndrome do Pânico, Autismo, Alteração no PAC (Processamento Auditivo Central)... Mas também é obvio que mesmo as crianças que tem um diagnóstico precisam de limites claros. Assim como há crianças em que o “tal sintoma” nada mais é do que resultado de uma descompensação emocional.

Então, essa reflexão me leva a outra... Minha recente discussão sobre os pais que tem medo de mostrar o mundo aos filhos...

Vamos refletir...

Somos de uma geração (e eu me incluo nela uma vez que tenho filhos pequenos) que cresceu aprendendo a ter. Somos uma geração de maioria mimada. Que cresceu cercada pela disseminação da TV a cabo, da telefonia celular, da melhoria da situação socioeconômica de muitas famílias, do aumento da violência e do crescimento de condomínios. Somos uma geração extremamente mimada. E agora estamos tendo filhos.

A máxima do “precisamos ensinar a ser, e não a ter”, é uma verdade propagada, mas pouco buscada por essa geração de pais e mães, que cresceu sobre o exemplo de pais que sempre fizeram de tudo (e um pouco mais) para agradar os filhos.

Então, muitos desses adultos de hoje, acham que podem deixar os filhos felizes resolvendo todas e cada uma de suas frustrações.

“Tadinho do meu filho”. “Ele não pode ser o único a não ter, a não ir”. “Ele não pode ler/ver algo tão triste”. Ele não pode se frustrar... E tantas outras questões que explodem todos os dias.

E nesse ímpeto, os pais acham que podem e, muitas vezes querem pagar pela não frustração do filho. E acham que podem fazer isso na escola, no clube, nas academias...

Esses pais acabam por tirar de seus filhos a possibilidade de enfrentar suas frustrações e conflitos, chegando, inclusive, a tomar a frente das crianças, procurando o coleguinha (ou a família dele) para resolver questões que deveriam ser enfrentadas pela criança.

Vejam bem... Não estou falando em não acolher, em não procurar a ajuda de quem pode auxiliar a criança (caso o fato tenha acontecido na escola ou em qualquer outro lugar longe dos pais), mas estou falando da ação de facilitar (ou até mesmo tirar totalmente da criança) a possibilidade de enfrentamento da situação, não permitindo que ela desenvolva as estruturas morais e emocionais necessárias para sua vida adulta.

Amar demais é quase um crime. A superproteção é quase uma agressão. O tomar a frente e não incentivar que a criança aprenda a se fazer ouvir é um castigo cruel... E a maior parte dos adultos acha que é só demonstração de amor...

Ai entram os chavões: “quem ama educa”. “Quem ama impõe limites”... E tantas outras frases prontas que ouvimos por ai... E são mentira?

E não se trata de constatar ou falar que o erro é nosso, ou da geração que nos educou. Trata-se de conseguir observar o que está acontecendo e buscar soluções, novas estratégias, novas formas de nos relacionarmos com nossas crianças.

Precisamos acreditar em nossos filhos  na capacidades que eles têm de crescer, posicionarem-se e, principalmente, de levantar após tombos e frustrações.

“Criamos filhos para o mundo!”... Como vamos prepará-los? Vamos criar crianças frágeis, inseguras, cheias de medo... ou seres capazes de lidar e superar frustrações, com energia vital suficiente para se reerguerem e serem capazes de amar o próximo???

Como será seu filho adulto?

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